Um site para entender os lagos da Amazônia
Os Lagos Sentinelas da Amazônia conectam ciência e comunidades na construção coletiva de conhecimentos e práticas mais sustentáveis para o cuidado com as águas.
Durante as secas extremas que ocorreram em 2023 e 2024 na Amazônia, alguns lagos deram sinais de que algo não estava bem. Nosso foco é a produção de conhecimento baseado no diálogo entre instituições de pesquisa locais e comunidades moradoras do entorno de 5 lagos amazônicos.
Comunidade isolada pela seca, Tefé, out/2024 — Foto: © Paula Silva (imagem provisória)
Lição 1 · Onde ficam os lagos
Uma viagem de 1.400 km rio abaixo
Entre Tefé, no Amazonas, e Monte Alegre, no Pará, o Solimões-Amazonas passa por cinco lagos que o projeto acompanha de perto. Role a página e desça o rio com o barco: a cada lago, a sentinela acende.
- 1 · Lago de TeféAM · ria de águas pretas · 310 km²
- 2 · Lago de CoariAM · águas pretas · 624 km²
- 3 · Lago JanauacáAM · várzea + ria · 67,71 km²
- 4 · Lago de SerpaAM · água preta encontra água branca · 1,45 km²
- 5 · Lago Grande de Monte AlegrePA · várzea · ~83.100 ha na cheia
Lição 2 · Por dentro de um lago
O que é um lago sentinela?
Um lago funciona como indicador natural das mudanças ambientais. Por estar em áreas mais baixas da paisagem, recebe e reflete transformações que acontecem em todo o território ao redor. O projeto monitora cinco lagos localizados nos estados do Pará e do Amazonas. Estes lagos vêm sofrendo com efeitos de mudanças climáticas, como secas e cheias extremas.
Role devagar: o desenho abaixo muda com a rolagem.
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Na cheia, o lago enche até a floresta
Todo ano o rio sobe e invade as margens. No Lago de Tefé a diferença entre cheia e seca chega a cerca de 11 metros; em Monte Alegre, a cerca de 4 metros. As casas flutuantes sobem junto com a água.
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Na seca, aparecem os bancos de areia
Quando a água desce, o lago fica raso, barcos encalham e comunidades ficam isoladas. Em outubro de 2024, 122 das 160 comunidades ribeirinhas do município de Tefé estavam isoladas pela seca.
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Pouca água esquenta mais rápido
Com o lago raso, o sol aquece toda a coluna d'água. Na seca de 2023, a água do Lago de Tefé chegou a 40,9 °C — e 209 botos morreram ali. Foi o sinal mais forte de que os lagos precisavam de vigilância.
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Por isso o lago ganha sensores e uma estação
Sensores presos a uma linha medem temperatura, oxigênio dissolvido e nível em profundidades diferentes. Na margem, a estação meteorológica registra o clima. Comunitários e pesquisadores leem os dados juntos.
Lição 3 · Um lago de cada vez
Cada lago conta uma história diferente
Escolha um lago para ver a ficha, quem cuida dele, as comunidades e como ele apareceu no satélite antes e durante a seca de 2023. Arraste a linha sobre a imagem para comparar.
Como a pesquisa é feita
Três grupos de trabalho, um mesmo lago
Socioambiental
Buscamos entender como é a vida das pessoas que vivem ao redor dos lagos, focando em saúde, saneamento, educação, trabalho e meio ambiente.
- Oficinas participativas
- Censo socioeconômico
- Comunidades tradicionais, ribeirinhas, quilombolas e indígenas
Monitoramento Ambiental
Coletamos e analisamos dados ambientais dos lagos, como a qualidade da água, o clima, o nível dos lagos e a vida aquática, usando sensores e também amostras manuais.
- Sensores e estação meteorológica
- Coletas mensais de qualidade da água
- Nível, temperatura, batimetria e análises de laboratório
Sensoriamento Remoto
Com imagens de satélite, acompanhamos como os lagos estão mudando, monitorando o nível do lago, a temperatura da água, a duração das secas e das cheias.
- Satélites SWOT, Sentinel, Landsat, MODIS e PlanetScope
- Uso do solo com MapBiomas
- Dezenas de lagos vistos de cima
Lição 4 · Palavras que aparecem o tempo todo
Vire os cartões e aprenda com os lagos
Cinco conceitos que ajudam a entender o que os pesquisadores e os comunitários medem. Toque ou clique em um cartão para ver a resposta.
Caderno de campo
Quem está nos lagos










Ciência e comunidades lado a lado
Proteger os lagos é proteger a Amazônia
O projeto Lagos Sentinelas da Amazônia mostra que o futuro da conservação passa pela união entre comunidades tradicionais, cientistas e ação coletiva.
Mais de 200 comunitários participam das atividades ao lado de 69 pesquisadores, com o objetivo de construir soluções ambientais a partir da união entre conhecimento acadêmico e local.
O que o projeto quer alcançar
- Compreensão da dinâmica das águas dos lagos
- Informações para apoiar políticas públicas
- Diagnóstico socioambiental dos lagos sentinelas
- Colaboração entre pesquisadores, comunitários e gestores
- Cocriação de soluções
- Intercâmbio com outros lagos amazônicos
- Protocolo para monitoramento ambiental de lagos amazônicos com engajamento comunitário
Notícias
O que já aconteceu nos lagos
Oficina com gestores públicos de Tefé e Alvarães, no Campus Mamirauá.
1ª Oficina Geral do projeto: 60 pessoas, comunitários e pesquisadores dos 5 lagos.
Diagnóstico socioambiental com lideranças de 30 comunidades do Lago de Tefé.
Primeira Oficina Participativa no Lago Janauacá.
Reunião com Agentes Comunitários de Saúde em Coari.
Oficina de instalação da estação meteorológica no Lago de Serpa.
Encontro com Jovens e Mulheres Protagonistas da Flona Tefé.
Oficina Pré-Seca no Lago de Tefé: 34 comunidades, 97 lideranças.
Diagnóstico socioambiental detalhado e censo em 31 comunidades.
Memória dos Lagos
Um acervo de histórias contadas por quem vive nos lagos: desenhos, áudios e textos dos comunitários. As primeiras memórias estão sendo recolhidas nas oficinas.
em brevePodcast
Doze episódios: uma introdução, dois por lago (um na cheia, outro na seca) e uma conclusão. Primeiro episódio em produção.
em breve